Return to site

Um novo modelo de investimento de impacto: Contratos de Impacto Humanitário

SIBHub Brasil

por Hamna Nazir

Em setembro, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lançou o primeiro Contrato de Impacto Humanitário do mundo para ajudar a transformar a forma em que os serviços vitais para pessoas com deficiência (PCD) são financiados em países afetados por conflitos armados.

 

Ao todo, existem 90 milhões de pessoas com deficiência no mundo que precisam de um dispositivo móvel, mas apenas 10%, em média, têm acesso aos serviços de reabilitação física adequados. Esta falta de acesso pode causar exclusão social e econômica. Com o nome oficial de Programa para Investimento de Impacto Humanitário, o projeto visa construir e administrar três centros de reabilitação física em Nigéria, Mali, e o República Democrática do Congo ao longo de cinco anos, fornecendo serviços para quase 6.000 pessoas cada ano.

 

O mecanismo foi criado para incentivar o investimento social do setor privado, buscando apoiar os programas de saúde do CICV, maior provedor dos serviços de reabilitação física para países em desenvolvimento. Três fatores estimularam esse tipo de mecanismo: o número crescente de conflitos armados, alta demanda por esses serviços e o crescente orçamento anual do comitê.

"Os desafios humanitários são imensos, causando sofrimento para milhões de homens, mulheres e crianças em todo mundo. Este instrumento de financiamento é (...) uma oportunidade não só para modernizar o modelo existente para ação humanitária, mas também para testar um modelo econômico novo, desenhado para apoiar as pessoas em necessidade de uma forma melhor."

Peter Maurer, o Presidente do ICRC

Após a construção, os três centros serão entregues às autoridades de saúde nacionais de cada país. Para os primeiros três anos, o CICV treinará os funcionários no uso do equipamento, na produção dos prósteses e na provisão de reabilitação. Posteriormente, o suporte continuará a de acordo com a necessidade do centro.

O programa tem por objetivo melhorar a eficiência dos centros de reabilitação física, que será medida através da comparação entre a proporção das pessoas que recebem os dispositivos por profissional de reabilitação física pelo programa com a proporção de centros já existentes. Se os centros do contrato alcançarem um benchmark especifico, os “financiadores de resultados” – os governos da Bélgica, Suíça, Itália e o Reino Unido, e a Fundação “la Caixa” – pagarão os investidores sociais o montante inicial investido mais um retorno anual. Ao todo, foram levantados 26 milhões francos suíços por diversos investidores.

Em uma entrevista para uma plataforma de mídia de desenvolvimento global, Emily Gustafsson-Wright, membro do Brookings Institution, reportou que o programa é mais parecido com Contratos de Impacto para o Desenvolvimento (do inglês Development Impact Bonds), porque os “financiadores de resultados” são doadores ou fundações, enquanto nos Contratos de Impacto Social, quem paga por resultados sociais é governo local. Segundo ela, estes contratos representam uma “revolução na provisão de serviços” porque incentivam prestadores de serviços a melhorem a gestão e o monitoramento de seus desempenhos.

Para ler as notícias na íntegra em inglês, acesse: https://goo.gl/5DFgBm

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OKSubscriptions powered by Strikingly