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O primeiro contrato de impacto para o desenvolvimento do mundo para a educação alcança metas em seu último ano

SIBHub Brasil

por Isabel Rodrigues

Estrutura

Há três anos atrás, um programa inovador foi desenhado com o objetivo de aumentar o número de matrículas e desempenho de meninas no Rajastão, na Índia. Nesta região rural, onde a agricultura é a principal forma de subsistência, uma em cada dez meninas com idades entre 11 e 14 anos são mantidas fora da escola, para contribuir na renda familiar ou para cuidar dos irmãos. A qualidade da educação das meninas é ainda mais preocupante: em 2011, a taxa de alfabetização feminina foi de apenas 52%, comparado a 79% para homens e abaixo da média nacional de 65% para mulheres.

Uma ONG local, Educate Girls, passou a última década buscando alcançar “transformação comportamental, social e econômica” para que as meninas tivessem acesso a uma educação de qualidade. Em 2015, a organização tornou-se parte de um contrato de impacto para o desenvolvimento (DIB), um mecanismo que aproveita o capital do setor privado para que um terceiro, como uma agência de fomento ou fundação, pague o recurso mais um bônus se, e somente se, os resultados previamente determinados sejam alcançados.

Com 270.000 dólares em capital inicial da UBS Optimus Foundation, a prestadora de serviços, a Educate Girls, identificou e incentivou a matrícula de meninas que não frequentavam nenhum de escola, bem como proporcionou intervenções de aprendizagem focadas em um currículo centrado na criança. O Instiglio forneceu suporte de gerenciamento de desempenho para o Educate Girls durante toda a implementação do DIB, e os resultados finais foram verificados pelo IDinsight, um avaliador independente. O pagador por resultados, Children’s Investment Fund Foundation, pagaria o principal junto com uma taxa interna de retorno de 15% para a UBS em caso de sucesso.

Resultados

O contrato foi avaliado com base em duas métricas de sucesso: matrícula de alunos e resultados de aprendizado.

  1. Matrícula de alunos (representa apenas 20% do pagamento final): mede a porcentagem de meninas fora da escola com idades entre 7 e 14 anos matriculadas na escola ao longo de três anos, contra uma meta de 79%. No primeiro ano, o percentual foi de 38%, enquanto no segundo ano, a meta quase foi alcançada, com uma taxa de matrícula de 73%. No final do terceiro ano, Educate Girls ultrapassou a meta, registrando 768 meninas, isto é, 92% das meninas que estavam foram da escola se matricularam.
  2. Aprendizagem (representa 80% do pagamento): mede os resultados do nível de aprendizagem para meninas e meninos usando o teste ASER para inglês, hindi e matemática, no qual os alunos recebem uma nota entre A e E para cada matéria. Através de um ensaio randomizado controlado (do inglês randomized controlled trial), o avaliador comparou o progresso neste teste para crianças que receberam a intervenção (grupo de tratamento) em comparação a um grupo de alunos que não recebeu a intervenção (grupo de controle). A meta ao longo dos três anos foi um aumento combinado de 5.592 nos níveis de aprendizagem para os alunos que receberam a intervenção, acima do grupo de controle. Nos dois primeiros anos, os resultados estavam abaixo da meta, com apenas 52% alcançados no final do segundo ano. No entanto, no último ano este grupo melhorou o desempenho do teste em 8.940 a mais em níveis de aprendizagem do que o grupo de controle, sendo equivalente a 160% da meta.

Comparando os resultados do ano 2 com os obtidos na avaliação final, podemos perceber que vários ajustes foram feitos na intervenção para aumentar o sucesso dos alunos. Por exemplo, foram realizadas mudanças estruturais na entrega, como um aumento no número de sessões e grupos de ensino alinhados com os níveis de competência, foram combinadas com conteúdo curricular aprimorado, enfatizando o aprendizado personalizado. Atualizações adicionais incluíram visitas domiciliares por ausências persistentes e treinamento adicional para professores. Com foco nas métricas de resultado e melhor gerenciamento de desempenho, Educate Girls foi capaz de responder a novas informações para melhorar a prestação de serviços.

Aprendizados

Embora o Educate Girls já estivesse usando dados e tivesse realizado um ensaio randomizado controlado antes do contrato, ainda foi necessário aprender muito em termos de gerenciamento de dados e uso para melhorar os programas. O DIB exigiu que os funcionários de toda a organização pensassem de forma diferente, o que era possível em parte porque ter alvos claramente definidos ajudava a construir a propriedade, não apenas na prática, mas em toda a equipe de suporte.  Tal aprendizado permitiu que a organização usasse esses dados para ajustar o programa, alterar o currículo, adaptar o treinamento e desviar recursos e funcionários onde eles eram mais necessários.

Além disso, uma das principais lições para aplicações de outros DIBs é garantir que o ponto de partida esteja correto para que o instrumento e os resultados sejam desenvolvidos adequadamente, e outro esteja tentando simplificar a avaliação - em parte porque os ensaios clínicos randomizados são caros.

Para ler as notícias na íntegra em inglês, acesse: https://bit.ly/2x4kL4O ;  https://brook.gs/2JpD1sO

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